Bíblia João Ferreira de Almeida

Deuteronômio 32

1Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca.

2Caia como a chuva a minha doutrina; destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como chuvas sobre a relva.

3Porque proclamarei o nome do Senhor; engrandecei o nosso Deus.

4Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem iniqüidade; justo e reto é ele.

5Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, e isso é a sua mancha; geração perversa e depravada é.

6É assim que recompensas ao Senhor, povo louco e insensato? não é ele teu pai, que te adquiriu, que te fez e te estabeleceu?

7Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos, geração por geração; pergunta a teu pai, e ele te informará, aos teus anciãos, e eles to dirão.

8Quando o Altíssimo dava �s nações a sua herança, quando separava os filhos dos homens, estabeleceu os termos dos povos conforme o número dos filhos de Israel.

9Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.

10Achou-o numa terra deserta, e num erma de solidão e horrendos uivos; cercou-o de proteção; cuidou dele, guardando-o como a menina do seu olho.

11Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas,

12assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho.

13Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer os frutos do campo; também o fez chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira,

14coalhada das vacas e leite das ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos carneiros de Basã, e dos bodes, com o mais fino trigo; e por vinho bebeste o sangue das uvas.

15E Jesurum, engordando, recalcitrou (tu engordaste, tu te engrossaste e te cevaste); então abandonou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação.

16Com deuses estranhos o moveram a zelos; com abominações o provocaram ã ira:

17Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus, a deuses que não haviam conhecido, deuses novos que apareceram há pouco, aos quais os vossos pais não temeram.

18Olvidaste a Rocha que te gerou, e te esqueceste do Deus que te formou.

19Vendo isto, o Senhor os desprezou, por causa da provocação que lhe fizeram seus filhos e suas filhas;

20e disse: Esconderei deles o meu rosto, verei qual será o seu fim, porque geração perversa são eles, filhos em quem não h� fidelidade.

21A zelos me provocaram cem aquilo que não é Deus, com as suas vaidades me provocaram ã ira; portanto eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo, com uma nação insensata os despertarei ã ira.

22Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arde até o mais profundo do Seol, e devora a terra com o seu fruto, e abrasa os fundamentos dos montes.

23Males amontoarei sobre eles, esgotarei contra eles as minhas setas.

24Consumidos serão de fome, devorados de raios e de amarga destruição; e contra eles enviarei dentes de feras, juntamente com o veneno dos que se arrastam no pó.

25Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor, tanto ao mancebo como ã virgem, assim ã criança de peito como ao homem encanecido.

26Eu teria dito: Por todos os cantos os espalharei, farei cessar a sua memória dentre os homens,

27se eu não receasse a vexação da parte do inimigo, para que os seus adversários, iludindo-se, não dissessem: A nossa mão está exaltada; não foi o Senhor quem fez tudo isso.

28Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento.

29Se eles fossem sábios, entenderiam isso, e atentariam para o seu fim!

30Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer rugir dez mil, se a sua Rocha não os vendera, e o Senhor não os entregara?

31Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes disso.

32Porque a sua vinha é da vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, seus cachos são amargos.

33O seu vinho é veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras.

34Não está isto encerrado comigo? selado nos meus tesouros?

35Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar.

36Porque o Senhor vindicará ao seu povo, e se arrependerá no tocante aos seus servos, quando vir que o poder deles já se foi, e que não resta nem escravo nem livre.

37Então dirá: Onde estão os seus deuses, a rocha em que se refugiavam,

38os que comiam a gordura dos sacrifícios deles e bebiam o vinho das suas ofertas de libação? Levantem-se eles, e vos ajudem, a fim de que haja agora refúgio para vós.

39Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além de mim; eu faço morrer e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar da minha mão.

40Pois levanto a minha mão ao céu, e digo: Como eu vivo para sempre,

41se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão travar do juízo, então retribuirei vingança aos meus adversários, e recompensarei aos que me odeiam.

42De sangue embriagarei as minhas setas, e a minha espada devorará carne; do sangue dos mortes e dos cativos, das cabeças cabeludas dos inimigos

43Aclamai, ó nações, com alegria, o povo dele, porque ele vingará o sangue dos seus servos; aos seus adversários retribuirá vingança, e fará expiação pela sua terra e pelo seu povo.

44Veio, pois, Moisés, e proferiu todas as palavras deste cântico na presença do povo, ele e Oséias, filho de Num.

45E, acabando Moisés de falar todas essas palavras a todo o Israel,

46disse-lhes: Aplicai o vosso coração a todas as palavras que eu hoje vos testifico, as quais haveis de recomendar a vossos filhos, para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.

47Porque esta palavra não vos é vã, mas é a vossa vida, e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra ã qual ides, passando o Jordão, para a possuir.

48Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo:

49Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão;

50e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo; assim como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo;

51porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto �s águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois não me santificastes no meio dos filhos de Israel.

52Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não entrarás, na terra que eu dou aos filhos de Israel.


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Comentários

2015-06-05 Obedeça o senhor